O Silêncio do Agora

Eu não percebi quando aquilo deu meia-volta
E voltou e se sentou do meu lado
Ficou ali, calado.

Eu não sorri e olhei para o outro lado
Continuei a andar, o olhar consternado
E o percebi, ainda sentado.

Era o meu medo, meu olhar psicótico
Ou eram as frases que apago?
As coisas em que me perco e me acho
A raiva que levo em meu aço?

É estranho o amor em tudo que faço
Uma luz sobrecarregada, um limite construído
É tardio, né ? Eu mesmo já fui embora
– Encontrei o silêncio do agora.

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A Vida Que a Gente Cresce

A gente cresce para essa vida
E sentamos sozinhos nela
Esperamos a noite inteira
Só pra ver o sol nascer
E não vem.
Nunca vimos o raiar do dia
Porque o que temos são escolhas
Sonhos que decidimos parar de sonhar
Porque não dá mais, porque não dava mais…
Mas é isso
É essa coisa inacabada
Esse fim de estrada
Essa saudade que vem do nada
Essa é a vida que a gente cresce…

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Breve Interromper

Mas não acho que seja mais assim. Não acho que essa vida carregue ainda os tons de uma cor que vi embaixo da escada. Volta uma outra noite, uma outra tarde e fica por alguns minutos. Mas carrega ? Não. Acho que vi a noite mais escura e esperei no dia mais frio. Tudo isso, que já foi tão difícil, se tornou… Um passar. E se foi, se jogou num mar aberto. As ondas levaram para longe aquela noção de que as mãos se entrelaçariam um dia.

*

E que tal aquela lembrança ? Ainda existe ? Às vezes penso que estou caminhando em direção a um lugar onde os extremos não tem mais voz e me sinto menos. Menos capaz de coragem, menos capaz de uma viagem assim do nada. A vida te leva a outro canto e tu não percebe. É só quando olha ao redor e vê a praia diferente, uma tonalidade pastel, um vento mais silencioso, uma solidão que mudou. Os olhos se aquietam por trás do sorriso que desvai e fica somente uma sensação; essa vida que segue em frente.

*

Ontem meu maxilar congelou e não consegui falar quando o coração pediu. Lembrei daquelas madrugadas em que não havia frio, mas mesmo assim eu não podia falar: não havia ouvidos para ouvir.

*

Pensar em ti virou um entrecortar. Aquela coisa que vem de repente quando cruzo a sala e aquele feixo de luz do pôr-do-sol me atinge na cara. Paro. Olho a janela, olho a rua, o dourado a me banhar. Vem às vezes quando ligo o chuveiro. Naquele breve interromper em que a água ainda não veio.

*

A vida muda de figura
O que lá fora era a rua
Vira toda amargura
Que encontro na sua…
Cara,  você vive toda a vida que queria
E o que mais me pedia não podia…
Ser feito de toda nostalgia de uma pura energia
Toda rua correria
Todo dia outra vida
Toda vida outro sonho
Todo sonho outra dívida
Outra noite outra vez
Outra vez outra vida…

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Onde Eu Estou é Aqui

Não há uma diferença no que eu sei
É mais do mesmo
– E o cair em si…

O que eu tive que entregar pra chegar aqui
O que eu desisti
– E o que perdi…

Vencer nem sempre é uma coisa pra se ver
Mas eu venci
– E vocë não vai saber…

Nunca ouvi perguntarem a minha mãe de mim
Mas e daí
– Onde eu estou é aqui.

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Não Aprendi

Hoje, ás quatro-e-vinte-cinco da manhã
Percebi.

Éramos tão iguais
Teu desespero era o meu desespero
Meus rompantes de hoje são teus rompantes de ontem.

Sabe quando tu abria um buraco no silêncio ?
Entrava, dançava, fazia uma festa louca
E depois saía; fim da festa, fecha a porta do quarto.

Hoje eu abro esse buraco também e me arrependo
E meu arrependimento é o teu silêncio
Engole-se; dilacera-se numa selva própria
(tem tudo a esconder, tem tudo a mostrar)

E não fica nenhuma lição, nenhuma nada coisa

Não aprendi.

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Tom Menor

Onde eu leio sobre minha vida ?
Esse hoje cheio de coisa
Onde o meu amor entrou em dúvida
Correu e foi se esconder
Não quis mais saber
Mais de mim

Mais uma nuance do aqui
Mostra pra mim…
Olha, a noite cai em outro lugar
Ah, é outra coisa pra se divagar

Entra um som por nós, na noite devagar
Que nos traz, nos leva por dentro, carrega
Demonstra o tocar dos tecidos, meus sonhos
Teus sonhos, aquela outra coisa, um outro tanto
Que nunca somou, mas multiplicou e se perdeu
Desorientado em meio ao que se tornou
Força maior, força maior, força maior…
Coisa pior, tom menor, força melhor…

Escuta o avião que passa…

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Do que não poderia ter acontecido…

Sabe o que é incrível ? É a verdadeira sensação do que nunca poderia ter acontecido, mas aconteceu. É o entendimento de que algo que tu nunca pensou, coisa tal que nunca se juntou na tua cabeça, foi lá e aconteceu. De repente, era tu num salão octagonal a organizar fotografias, de repente uma parada de rua no interior do segundo báltico, de repente um hotel em meia floresta com luzes piscantes. Não, aquilo jamais passou pela tua cabeça. Nunca que essas realidades se encontrariam. Mas sim, aconteceu. E é a sensação do que não era possível um minuto antes e que agora tá ali acontecendo, que te atrasa. Que te leva. Que te levanta e demanda uma liberdade muito maior, uma coisa muito mais essencial.

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Nosso Ontem

Lembra como tu nunca podia ficar até tarde ?
Todas as conversas da noite adiadas para o outro dia
Meu carro quebrado, nossos sonhos atrasados
Foi ontem, né ?

Te vi em um sonho navegando pra longe
E quis tanto te acompanhar, mas tu foi tão rápida
E vi tua mãe numa casa de praia e sorrimos
Mas foi tudo um sonho.

Te trago como um pequeno segredo guardado
Uma vida pequena e tão enorme dentro de mim
Meu tempo marcado, tua voz calada e eu me perdendo
em tua voz, teu tempo, meu sonho, nosso ontem…

 

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As Ondas Não Te Levaram

Só agora eu percebi
Me desfiz de novo.

E encontrei aquelas noites
Setembro atrasado
Ansiedade batendo alta
A lua desaparecendo baixa.

E hoje… Refiz.
Parti.

Encontrei teu vão
Era um vazio, silêncio, perdão
Senão, então, porquê não…

E percebi que fiquei.
Não sei o quê
Mas fiquei.

 

 

As ondas não te levaram.

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O Que Tu Faz ?

De quem são nossas vontades ? O universo me parece um ir e vir sem fim, um ciclo, uma rotatória sem saída. E queremos sair ? Queremos brincar em outro lugar ? Queremos acordar para um outro amanhã ? Essa gente sem paz que somos, esse terror que é a realidade a nos encarar, em pauta, em foco. Aí então sonhamos sonhos de um outro tecido, um desfocar de quem somos e é quando acordar se torna tão incomum, tão potencialmente perigoso.

*

Entrega o que não é teu
Deixa.
Enfia-se no mundo por dentro
Descobre.

Tu não tem todos os amanhãs
Mas tu tem todos os ontens
E o que tu faz ?
Me diz, o que tu faz ?

 

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